domingo, abril 16, 2006

Não: não digas nada!

Não: não digas nada!
Supor o que dirá
A tua boca velada
É ouvi-lo já

É ouvi-lo melhor
Do que o dirias.
O que és não vem à flor
Das frases e dos dias.

És melhor do que tu.
Não digas nada: sê!
Graça do corpo nu
Que invisível se vê.

Fernando Pessoa

domingo, abril 09, 2006

A fada moranga!!...


É sempre simpático voltar ao blog após uma lacuna de uns dias, e ver algumas novidades.
Como esta: Um link directíssimo para a fada moranga!!!
É muito bom!!!
Obrigada.

quinta-feira, março 30, 2006

«Do Grande e do Pequeno Amor»

Li e gostei do romance fotogáfico da Inês Pedrosa (prosa) e do Jorge Colombo (fotos). A edição é da D. Quixote (2006). Deixo algumas passagens:

«Ela, entretanto, escondia-se do mundo. Com as cortinas a barricá-la do dia, nem precisava de chorar para sofrer.» [p.9]
Ele, «sem ela não chegava a perceber se a sua vida era de novo um livro em branco, ou se tinha arrancado de vez as páginas felizes do futuro.» [p.11]
Mas «nenhum deles aprendera a resistir ao chamamento do outro. Era como se os seus nomes respondessem, à revelia dos donos, de cada vez que eram pronunciados pelo outro». [p.23]
«Ninguém precisa de ninguém para o exercício do sexo - do que todos precisamos é do amor dos outros. O amor pequeno, parcelar, da ternura e da vaidade; e o amor grande, que se nos entranha como um órgão imaterial e nos faz respirar por toda a vida». [p.25]

L.Galrão

segunda-feira, março 27, 2006

A Dé, a Ana e eu

Quanto tempo passa sem que nos vejamos, falemos ou saibamos umas das outras?
Uma semana, um mês?
O tempo que calhar e nos apetecer!
Penso que é isso que nos torna chegadas. Cada uma vive a sua vida, janta, almoça, lancha, dorme, sai, entra, assume posições, vende ideias, usa as suas múltiplas facetas e depois, quando nos vemos um bocadinho, que roubamos ao tempo, é BOM!
É como repartir na mesa, em fatias apetitosas, os passos do nosso dia a dia, e oferecê-las às outras duas, como se do maior presente se tratasse! É acolhedor, até, quando tantas vezes nos encontramos para não partilharmos nada senão uma manta, uma lareira, um ombro, um encosto. Quando a presença das outras duas é tão simpática para uma, que assenta o pó ou a poeira que se levanta na caminhada do dia a dia, basta recebe-la.
Foi uma amizade que construímos em cima dos sucessivos resgates que fomos fazendo umas das outras. A Andreia resgatou-me, há uns anos atrás, de uma ideia, preconcebida e preconceituosa sobre as idades; juntas resgatámos a Ana de um abandono dorido e pouco merecido; a Ana tem-nos resgatado às duas, das nossas mentes, às vezes demoníacas.
Por vezes sinto alguma inveja, vinda de fora!
Não percebo porquê. Está ao alcance de todos.
Não são muitas. Mas são muito boas!