sexta-feira, março 23, 2007

As Vampíras Lésbicas de Sodoma!!!

Sabe a mel ir ao teatro após uma ausência enorme!
Tive um convite no sábado passado e fui ver "As Vampiras Lésbicas de Sodoma".
Não me ocorre nenhuma palavra com tamanho e descrição de satisfação plena, para vos transmitir a delícia que foi.
As pequenas dúvidas que poderiam ainda existir de que temos entre nós grandes actores, morreram esmagadas, no sábado, pelo peso bruto das estupendas representações a que assisti.
Rita Lello, Simão Rubim, Tobias Monteiro, João Craveiro, João Carracedo, Manuel Mendes... nomes de gentes estupendas, que devem orgulhar-se do enorme dom de nos agarrar - ao público - durante.... não faço ideia do tempo.... algum.... e fazer-nos desejar continuar lá! A espectar até de madrugada!!!!
Amigos brasileiros.... podem continuar a fazer as vossas novelas que nós ficamos com o nosso BOM teatro!

segunda-feira, fevereiro 26, 2007

Já lá vão 20 anos, Zeca...















- "Mãe, onde foste?"
Perguntei eu um dia destes...
A minha mãe arregalou os olhos e com uma pontinha de emoção disse-me:
-"Vêr a homenagem ao Zeca Afonso..."
Ahhhhhhhh..........lembram-se?
"Venham mais cinco..."; "Eles comem tudo...", "Grândola, Vila Morena", músicas de intervencão que nos habituámos desde muito cedo a ouvir, primeiro sem perceber nada, com os pais lá em casa; soáva-nos bem a melodia. Depois a cantar... com a alma! E depois todas as outras canções que tínhamos que saber aprender e vasculhar nas entrelinhas para perceber o conteúdo!!!!
Não vivemos o 25 de Abril e tudo o que o fez despertar, mas aprendemo-lo com o Zeca.
Talvez a geração que melhor o tenha ouvido seja a pós 25 de Abril: ouvimos e aprendemos o Zeca sem censura, mas com calma, sem a paixão e o fogo da luta.
Sempre me pareceu um pensador sereno e presente.
Fui a um dos último concertos dele no Coliseu, há vinte e qq coisa anos.... teria eu 10, 11, 12, não sei bem. Relembro com clareza a emoção de um concerto desses. É, e será sempre, intemporal
Há pouco tempo atrás, um dos irmãos do Hugo (agora com 16 anos) tinha como opção, para a disciplina de Português, um livro de poemas do Zeca, para escolher entre outros 4.
Achei graça. Ainda bem. Porque temo que nos nossos dias, se não forem as escolas ou o interesse pessoal de alguns, pouco de útil os nossos jovens aprendem.
No entanto...
O verdadeiro Zeca não se aprende na escola nem nos livros de poemas, a seco!
Lamento!

sábado, fevereiro 10, 2007

"Carminho & Sandra" - Rita Ferro Rodrigues





Já leram???? Então leiam.....a mesma história.... a história da "Carminho" e da "Sandra" .
Duas raparigas, com a mesma fatalidade, o mesmo tormento.... não sei se a mesma boa vontade ou a mesma dôr e obrigação!!!!
Duas raparigas rasgadas pela sociedade; fardadas até ao fim da vida com o fardo mais duro de carregar...
Talvez nenhuma delas queira aguentar viva com a força abafadora do remorço; embora uma delas o tenha que fazer, porque nós, a mesma sociedade que lhes rasgou as entranhas, vai obrigá-la a encarar cada dia da sua míserável vida não só com o peso da sua culpa solitária, mas também com a humilhação do dedo apontado num tribunal e a impossibilidade de poder fingir que ri com gosto.
Será sempre assim, enquanto continuarmos a encerrar atrás das grades aquelas para quem, ter sobrevivido a este corte, é afinal... a maior das penas!!! Antes as grades fossem só de ferro ou aço!
As "Carminhos" deste país, ainda que sem capacidade ou apoio para poderem dar vida em vez de a tirar, podem ao menos, no sossego de um quarto aquecido, chorar, e na confusão da sala de estar, fazer de conta!
Já acabámos uma vez com a pena de morte. Foi um orgulho nacional.
VAMOS NOVAMENTE ACABAR COM A PENA DE MORTE QUE TEIMA EM PERMANECER NO NOSSO PEQUENO REINO, e dar oportunidade à vida.
Vamos votar SIM, pela despenalização destas raparigas, seja a pena legalmente oficial, ou solitariamente oficiosa. Vamos deixá-las entrar nos nossos hospitais de mão dada com as mães, interceptá-las então, e mostrar-lhes que estamos lá nós, a sociedade, para as apoiar em qualquer decisão, mas antes, dizer-lhes: NÃO TENHAS MEDO E SOBRETUDO NÃO FUJAS. AINDA PODES SALVAR UMA VIDA, CONNOSCO.
TEREMOS O MAIOR PRAZER.

sábado, janeiro 20, 2007

ABORTO, SIM??? OU... ABORTAR A PENA????

Viva!!
Não é um assunto simples nem tão pouco, simplesmente um assunto!!!
É uma dádiva divina, não o aborto por si só, mas a capacidade lógica e emocional de poder reflecti-lo, senti-lo, apoiá-lo...ou não!
Já li e reli sobre diferentes opiniões e justificações pelos sins e pelos nãos. Baralhei-me, confundi-me, procurei a ciência a responder, procurei a religião....
Procurei em mim.
Procurei, procurei...
Fui ao dicionário e descobri primeiro, o significado da palavra PENA.
Curioso; Pena, ou penar é o acto de suportar castigo; atribuir uma pena é o acto de atribuir um castigo a...
MEU DEUS... atribuirias TU uma pena mais, do que a pena só, do próprio acto de abortar?
Sim?
Não creio! Não o DEUS em que creio; Não o Deus do amor, não o Deus irmão.
Quanto mais em TI creio, mais a minha mão se aproxima de colocar uma cruz no: SIM
SIM, vamos NÃO penalizar quem já penalizámos, porque não soubemos ouvir, dar uma juventude com direitos, com valores e liberdades saudáveis.
Porque antes não soubemos educar, apoiar....
Nunca compreendi a lógica educativa de atribuir uma penalização a alguém que comete um acto triste, por desespero... talvez, nós, os "BONS", antes de atribuir a pena devêssemos atribuir uma causa... e lambê-la... como se lambem as feridas que se querem sarar!!!
Esta triste saga da penalização VS despenalização do ABORTO, lembra-me a imagem do menino árabe, (que quase todos conhecem), em que alguém pede que nos indignemos com aqueles "povos horrorosos" que são capazes de esmagar a mãozinha da criança com a roda de um carro, porque aquela mãozinha apenas roubou... pão para comer!!!!!
Porque não lho deram???? Pergunto. Porque não lhe deram o pão? Para terem desculpa para lhe esmagarem a mão?
O que nos distingue afinal? Que fizémos ANTES de ESMAGAR tantas mulheres que não encontraram outras portas e janelas para sair?
NÃO, não alego que a "pança" é minha e faço dela o que quero!
NÃO, não aconselharia ninguém a abortar, mesmo que para esse alguém, as saídas fossem nenhumas, e eu pudesse opinar sobre o assunto.
.....
NÃO, nunca teria coragem de PENALIZAR, ou sequer levantar um dedo, à mulher que tivesse abortado, sob duras dúvidas, duras oportunidades e duras vidas...
NO MÍNIMO TERIA QUE ME AJOELHAR PERANTE ELA, PEDIR-LHE DESCULPA E LAVAR-LHE OS PÉS...